Perícia em dispositivos vestíveis

O que o Galaxy Watch registrou naquele dia

Batimentos, sono, passos, treinos com rota, quedas, pagamentos e cada interação com o aparelho. Fazemos a extração e a análise desses dados no relógio, no celular pareado e nas contas vinculadas, com cadeia de custódia documentada e laudo escrito para ser lido por advogados e juízes. Atendimento em todo o Brasil, para modelos com Tizen e com Wear OS.

Reconstruir

O que aconteceu naquele intervalo

Cronologia minuto a minuto a partir de sensores, eventos do sistema e dados do celular pareado, com a margem de cada registro dita por escrito.

Ver os registros disponíveis
Preservar

Um passo errado apaga tudo

Redefinir o relógio limpa o aparelho. Continuar usando sobrescreve registros. A orientação inicial vale mais do que qualquer técnica aplicada depois.

Ver os erros que destroem a prova

O que o dispositivo guarda

Os registros que interessam a um processo

Nem tudo que o relógio mede vira prova, e nem toda prova está no relógio. Estas são as frentes que examinamos, sempre cruzando o dado do aparelho com o histórico consolidado no celular.

O exame quase sempre se estende ao aparelho pareado, campo da perícia em dispositivos móveis, e segue o método descrito na página de perícia digital. Para relógios da outra plataforma, veja a página de perícia em Apple Watch.

Sinais de alerta

Quando o relógio vira peça central do caso

Nem todo processo com um vestível envolvido precisa de perícia. Estas são as situações em que o dado do dispositivo costuma mudar o resultado.

  • Existe disputa sobre onde a pessoa estava em determinado horário
  • A dinâmica de um acidente narrada por uma das partes não fecha
  • É preciso demonstrar que alguém estava acordado, dormindo ou em esforço físico
  • A seguradora contesta o sinistro alegando versão incompatível com os fatos
  • Discute-se jornada, sobreaviso ou período de descanso em ação trabalhista
  • Há dúvida sobre o momento exato de uma queda ou de um mal súbito
  • A parte contrária apresentou capturas de tela do aplicativo de saúde, sem exame técnico
  • O relógio foi apreendido e ninguém sabe como preservá-lo sem apagar o conteúdo

Se algum desses pontos descreve o seu caso, a conversa inicial já define o que precisa ser preservado hoje. Fale com um perito antes de mexer no aparelho.

Resultado prático

As perguntas que o laudo consegue responder

O valor do exame não está em listar sensores, e sim em responder a pergunta concreta que o processo faz, com os limites técnicos ditos por escrito.

01 / PRESENÇA

O relógio estava sendo usado?

Continuidade das medições, interações com a tela e, quando o bloqueio automático ao retirar do pulso está ativado, a sequência de bloqueios e desbloqueios do aparelho.

Discutir meu caso
02 / MOVIMENTO

A pessoa estava parada ou ativa?

Passos, aceleração, andares subidos, calorias e metas diárias permitem separar repouso, caminhada, corrida e deslocamento em veículo ao longo do período examinado.

Discutir meu caso
03 / LOCALIZAÇÃO

Por onde ela passou?

Rotas gravadas em treinos ao ar livre e indícios de deslocamento obtidos do celular pareado, apresentados com a margem de precisão de cada fonte.

Discutir meu caso
04 / TEMPO

Quando exatamente aconteceu?

Cronologia construída a partir de sensores, eventos do sistema e registros do celular, com fuso horário e fonte de cada carimbo de tempo explicitados no laudo.

Discutir meu caso
05 / EVENTO

Houve queda ou impacto?

Análise do evento de detecção, do acionamento de emergência com envio de localização e do comportamento dos sensores nos minutos anteriores e posteriores.

Discutir meu caso
06 / ORIGEM

O dado veio do sensor?

Separação entre o que foi medido pelo relógio, o que foi digitado manualmente e o que chegou de aplicativos de terceiros ou de camadas de integração do sistema.

Discutir meu caso
Frequência cardíaca Oxigenação do sangue Eletrocardiograma Pressão arterial Composição corporal Temperatura da pele Estágios do sono Nível de estresse Passos e andares Treinos com rota Detecção de queda SOS de emergência Pagamentos por aproximação Notificações espelhadas Registros de bateria Histórico de pareamento

Como trabalhamos

Duas plataformas, dois caminhos de exame

A primeira coisa que fazemos é identificar em que plataforma o aparelho roda, porque isso muda tudo. As linhas até o Galaxy Watch3, incluindo os Gear e os Active, usam Tizen. A partir do Galaxy Watch4 a Samsung passou a usar Wear OS com interface própria. A organização interna dos dados, os aplicativos disponíveis e o caminho técnico de aquisição são diferentes nos dois mundos, e um exame que ignora essa distinção parte errado.

Há uma característica desses relógios que costuma jogar a favor do trabalho pericial. Tanto a linha Tizen quanto a linha Wear OS oferecem depuração por rede, o mecanismo que desenvolvedores usam para instalar e inspecionar aplicativos. Quando o dispositivo está desbloqueado e existe autorização para habilitar as opções de desenvolvedor, esse canal permite aquisição lógica do conteúdo acessível diretamente no relógio, algo que nem toda plataforma concorrente admite. Não é um caminho universal, depende de modelo, versão e estado do aparelho, mas amplia bastante o alcance quando está disponível.

O restante do exame segue a lógica de sempre. O celular pareado concentra o histórico consolidado nas bases do aplicativo de saúde e nos registros do sistema, e as contas vinculadas replicam parte disso quando a sincronização está ativa. E vale o mesmo cuidado interpretativo: um pico de batimentos não prova susto, uma leitura de sono não prova que a pessoa dormiu e uma coordenada não prova identidade. O laudo apresenta o dado, a fonte, a margem e o que ele efetivamente sustenta.

Mapa das fontes

Onde cada dado realmente mora

Entender essa divisão evita pedido de perícia mal formulado e explica por que apreender só o relógio costuma ser insuficiente. Não temos vínculo com o fabricante, e o exame é integralmente independente.

01 / RELÓGIO

No próprio dispositivo

Guarda medições recentes, o que ainda não sincronizou e os registros do sistema, com possibilidade real de aquisição direta quando a depuração pode ser habilitada.

  • Bases internas do aplicativo de saúde do relógio
  • Registros de sistema, energia e conectividade
  • Aplicativos instalados, contas e permissões concedidas
02 / CELULAR

No aparelho pareado

É a fonte mais rica. O histórico consolidado, as bases do aplicativo de saúde e os registros de uso do sistema ficam aqui, junto com o aplicativo que gerencia o relógio.

  • Séries longas de saúde, treinos e atividade
  • Conteúdo completo de mensagens e chamadas
  • Registros do aplicativo de gerenciamento do vestível
03 / CONTAS

Nas contas vinculadas

Parte do histórico é sincronizada com a conta do fabricante e com serviços do sistema operacional, além de eventuais backups do celular e exportações feitas pelo próprio titular.

  • Histórico de saúde sincronizado, quando habilitado
  • Backups do celular com dados do vestível
  • Registros de dispositivos vinculados à conta
04 / TERCEIROS

Em aplicativos externos

Aplicativos de corrida, ciclismo e sono mantêm cópia própria em seus servidores, e a camada de integração de saúde do sistema pode redistribuir esses dados entre programas.

  • Treinos exportados para plataformas esportivas
  • Dados compartilhados por integração entre aplicativos
  • Registros mantidos por planos de saúde e academias

Nossa metodologia de trabalho

Um processo rigoroso e transparente

Consulta inicial

Entendimento do que precisa ser respondido, verificação da base jurídica do acesso e orientação imediata sobre a preservação do aparelho.

Isolamento e coleta

Aparelhos isolados de rede, mantidos energizados e adquiridos com procedimento documentado, hash calculado e cadeia de custódia aberta.

Análise correlacionada

Exame conjunto de relógio, celular e contas, com reconstrução da cronologia e verificação da origem de cada registro relevante.

Laudo e sustentação

Relatório com resposta objetiva aos quesitos, margens explicitadas e apoio na fase de esclarecimentos quando o exame for questionado.

Por dentro do exame

As oito etapas do exame

A ordem importa mais aqui do que em quase qualquer outro dispositivo, porque um passo fora de sequência apaga material de forma irreversível.

Base jurídica e escopo

Verificação da autorização do titular ou da decisão judicial e delimitação do que será examinado, dado o regime de proteção reforçada da informação de saúde.

Identificação da plataforma

Reconhecimento do modelo, do sistema instalado e do estado do aparelho, o que define qual caminho de aquisição é viável em cada caso.

Isolamento imediato

Aparelhos afastados de redes que permitam apagamento remoto, mantidos energizados e sem qualquer interação que altere o conteúdo.

Documentação do estado

Registro fotográfico, número de série, versão do sistema, contas vinculadas e situação de pareamento no momento do recebimento.

Aquisição do celular

Extração forense do aparelho pareado, fonte do histórico consolidado, com procedimento documentado e cálculo de hash do material obtido.

Aquisição do relógio

Coleta direta quando viável, inclusive pela via de depuração em rede, sem desemparelhar e sem redefinir, com registro de cada comando executado.

Contas e nuvem

Quando autorizado, obtenção do histórico sincronizado, dos backups e das exportações vinculadas às contas do titular.

Laudo e quesitos

Respostas objetivas, gráficos das séries relevantes, margem de cada medição e indicação clara do que não pode ser afirmado.

Que pergunta cada registro responde

Um mapa rápido entre a dúvida do processo e o dado que costuma esclarecê-la.

Quadro orientativo. A disponibilidade depende do modelo, das permissões concedidas pelo usuário e do estado de sincronização no momento do fato.
Pergunta do caso Registro que costuma responder Limite a considerar
A pessoa estava acordada de madrugada? Estágios de sono, batimentos e interações com a tela Indica uso do dispositivo, não identifica quem o usava
Ela estava no local do fato? Rota de treino, localização do celular e pagamentos Precisão variável conforme o sinal e a fonte do dado
Houve esforço físico intenso? Frequência cardíaca, calorias e sessões de treino Não permite conclusão clínica sobre causa
Houve queda ou impacto? Evento de detecção, movimento e acionamento de emergência Disponível apenas em modelos com o recurso ativado
O relógio ficou no pulso o tempo todo? Continuidade das medições e bloqueios automáticos O bloqueio ao retirar do pulso é opcional e pode estar desligado
A pessoa fez um pagamento naquele horário? Histórico da carteira digital confrontado com o extrato Registra o dispositivo usado, não quem o portava
A ligação foi feita pelo relógio? Registros de chamada e, em modelos com celular próprio, dados da operadora Conteúdo e contexto dependem do exame do aparelho pareado
O dado apresentado é confiável? Origem do registro, se sensor, entrada manual ou integração externa Registros manuais não têm o mesmo peso probatório

Antes de tocar no aparelho

Os oito erros que destroem a prova

Nenhum deles é feito por má-fé. São reações naturais de quem quer resolver rápido, e todos são irreversíveis.

Modelo por modelo

O que muda conforme a geração

A plataforma define o caminho de aquisição e o conjunto de sensores define o tipo de dado disponível. Vale conferir antes de formular o pedido.

Resumo orientativo. A viabilidade concreta depende também da versão instalada, do estado do aparelho e das credenciais disponíveis.
Geração Plataforma Caminho de aquisição Dados característicos
Linha Gear e Galaxy Watch de 2018 Tizen Celular pareado, contas e depuração em rede quando viável Batimentos, passos, sono e treinos, com pareamento também a iPhone
Galaxy Watch Active e Active2 Tizen Celular pareado, contas e depuração em rede quando viável Acréscimo de eletrocardiograma nos modelos e regiões habilitados
Galaxy Watch3 Tizen Celular pareado, contas e depuração em rede quando viável Detecção de queda e medições ampliadas de saúde
Galaxy Watch4 e Watch5 Wear OS com interface Samsung Celular Android pareado, contas e depuração em rede Composição corporal e, na Watch5, sensor de temperatura
Galaxy Watch6 em diante e Ultra Wear OS com interface Samsung Celular Android pareado, contas e depuração em rede Métricas ampliadas de sono, esforço e recuperação
Modelos com conexão celular própria Ambas as plataformas Celular, contas e registros da operadora mediante ordem judicial Uso independente do telefone, com rastro adicional de conexão

Comparação entre plataformas

Galaxy Watch e Apple Watch: o que muda no exame

As duas plataformas registram coisas parecidas, mas o caminho até o dado é bem diferente. Quem formula o pedido de perícia precisa saber disso.

Comparação técnica orientativa. Para o detalhamento da outra plataforma, veja a página de perícia em Apple Watch.
Aspecto Galaxy Watch Apple Watch
Aquisição direta no relógio Possível em cenários específicos, por depuração em rede Bastante limitada, sem porta de dados nas gerações recentes
Fonte consolidada Celular Android pareado e contas vinculadas iPhone pareado e conta em nuvem
Bloqueio ao retirar do pulso Recurso opcional, muitas vezes desativado pelo usuário Comportamento padrão, gerando continuidade mais forte
Compatibilidade de pareamento Somente Android a partir do Watch4 Somente iPhone
Integração com aplicativos externos Ampla, com camada de compartilhamento entre programas Ampla, dentro do ecossistema do fabricante
Ponto de atenção na preservação Redefinição e novo pareamento apagam o conteúdo Desemparelhamento apaga o conteúdo

Quem assina o trabalho

O perito que assina os laudos

As perícias em dispositivos vestíveis da Infosec Security são conduzidas por Julio Cesar Madeira Soares, perito judicial e extrajudicial com duas décadas de atuação prática em perícias complexas e consultoria em segurança da informação, com atuação em tribunais de justiça de todo o Brasil, nas esferas criminal, cível, trabalhista e corporativa.

A formação une profundo conhecimento técnico em Ciência da Computação a múltiplas pós-graduações nas áreas de Forense Digital, Perícia Forense Aplicada à Informática, Perícia Judicial e Extrajudicial e Direito Digital, além de MBA na área, garantindo uma visão que alinha a análise técnica à estratégia processual. Como Especialista em Segurança da Informação e DPO, soma a perspectiva de conformidade legal exigida pelos casos que envolvem dados pessoais.

Todos os procedimentos seguem as melhores práticas e a legislação vigente, incluindo o Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/2014) e a LGPD (Lei nº 13.709/2018), com processos rigorosos e documentados que garantem a integridade e a admissibilidade das provas, e laudos e pareceres escritos para serem compreendidos por advogados e juízes, sem jargões desnecessários.

Formação acadêmica

Graduação em Ciência da Computação, MBA e dezenove pós-graduações que cobrem o espectro técnico, jurídico e comportamental da perícia digital.

Pós-graduação em Engenharia de Software

Faculdade Metropolitana mai 2026 a jan 2027

Pós-graduação em Psicologia Forense

Faculdade Metropolitana mai 2026 a jan 2027

Pós-graduação em Administração de Banco de Dados

Faculdade Metropolitana mai 2026 a jan 2027

Pós-graduação em Direito Penal e Criminologia

Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul mar 2026 a fev 2027

Pós-graduação em Engenharia de Redes e Telecomunicações

Anhanguera Educacional fev 2026 a dez 2026

Pós-graduação em Direito Penal e Direito Processual Penal

Legale Educacional set 2025 a set 2026

Pós-graduação em Perícias Forenses

IPOG - Instituto de Pós-Graduação e Graduação ago 2025 a ago 2026

Pós-graduação em Perícia em Imagens e Documentos Digitais

IPOG - Instituto de Pós-Graduação e Graduação jul 2025 a mai 2026

Pós-graduação em Direito Imobiliário

Legale Educacional jun 2025 a jun 2026

Pós-graduação em Direito Civil e Processual Civil

Legale Educacional mai 2025 a mai 2026

Pós-graduação em Criminologia

Anhanguera Educacional mai 2025 a jan 2026

Pós-graduação em Documentoscopia com Ênfase em Perícia

Faculdade Facuminas jun 2024 a mar 2025

Pós-graduação em Data Protection Officer (DPO)

Anhanguera Educacional fev 2024 a abr 2025

Pós-graduação em Ciência Forense e Perícia Criminal

Faculdade Facuminas set 2023 a set 2024

Pós-graduação em Perícia Forense Aplicada a Informática

Faculdade Facuminas set 2023 a mai 2024

Pós-graduação em Cybercrime e Cybersecurity: Prevenção e Investigação de Crimes Digitais

Faculdade Facuminas ago 2023 a ago 2024

Pós-graduação em Direito Perícia Judicial e Extrajudicial

Faculdade Facuminas mai 2023 a mai 2024

MBA em Gestão e Tecnologia em Segurança da Informação

DARYUS Consultoria e Treinamento abr 2022 a out 2023

Pós-graduação em Direito Digital

Multivix abr 2022 a out 2023

Pós-graduação em Perícia Forense Digital

DARYUS Consultoria e Treinamento fev 2019 a nov 2019

Bacharel em Ciência da Computação

Faculdade Pitágoras jan 2014 a dez 2017

Para quem trabalhamos

Três perfis, necessidades diferentes

O exame técnico é o mesmo, mas o recorte e o formato da entrega mudam conforme o uso que a prova vai ter.

Advogados e escritórios

Apoio técnico da definição do pedido até a fase de esclarecimentos, com atenção especial ao fundamento do acesso.

Seguradoras e empresas

Análise técnica da dinâmica narrada e apuração interna com escopo delimitado e tratamento adequado de dado sensível.

Pessoas físicas

Atendimento direto para quem precisa comprovar a própria versão ou contestar uma leitura equivocada dos dados.

Para advogados

Como formular bons quesitos

Em dispositivo vestível, quesito genérico rende resposta genérica e desperdiça a perícia. Delimite período, dado e pergunta. Os modelos abaixo servem como ponto de partida.

MODELO / PRESENÇA

Uso e continuidade

  • O dispositivo apresentou medições contínuas entre os horários indicados?
  • O bloqueio automático ao retirar do pulso estava ativado no período?
  • Quais os horários das interações registradas antes e depois do fato?
  • É possível afirmar quem utilizava o dispositivo? Em caso negativo, o que pode ser afirmado?
MODELO / SAÚDE

Sensores e atividade

  • Qual a série de frequência cardíaca registrada no intervalo indicado?
  • Há registro de sono, de esforço físico ou de repouso naquele período?
  • Qual a origem de cada dado, se sensor, entrada manual ou aplicativo de terceiro?
  • Qual a margem de precisão aplicável às medições utilizadas na resposta?
MODELO / LOCAL

Deslocamento e rota

  • Existem treinos com rota registrada no período? Quais os pontos e horários?
  • Os registros indicam deslocamento compatível com veículo em movimento?
  • Há correlação entre a localização do relógio e a do celular pareado?
  • Qual a margem de erro das coordenadas apresentadas?
MODELO / EVENTO

Queda e emergência

  • Há registro de detecção de queda no período indicado?
  • Qual o horário exato do evento e qual o fuso considerado?
  • Houve acionamento de emergência com envio de localização?
  • Como se comportaram os sensores nos minutos anteriores e posteriores?
Delimite sempre o intervalo de tempo Peça a origem de cada dado Requeira o exame do celular pareado Pergunte também o que não é possível afirmar

Primeiras providências

O que fazer nas primeiras horas

Estes oito passos preservam quase tudo que o exame vai precisar. A maioria você consegue executar sozinho, agora, sem conhecimento técnico.

Pare de usar o relógio

Tire do pulso e guarde. Cada dia de uso adicional substitui registros detalhados que talvez sejam justamente os do período em disputa.

Não redefina nem remova

Redefinir apaga tudo, e remover o relógio pelo aplicativo de gerenciamento costuma ter o mesmo efeito. É o erro mais comum da lista.

Não pareie com outro celular

Um novo pareamento reinicia o aparelho e quebra o vínculo com o histórico consolidado no telefone original.

Mantenha carregado

Deixe o relógio com energia, mesmo guardado. Aparelho descarregado dificulta a aquisição e pode exigir procedimentos que alteram o estado original.

Isole das redes

Evite conexão com internet e com o celular sempre que possível, para impedir sincronização e apagamento remoto do conteúdo.

Guarde o celular junto

O aparelho pareado é a fonte mais rica do exame. Preserve-o nas mesmas condições, sem restaurar backup e sem trocar de telefone.

Anote a cronologia

Registre horários, locais e a sequência dos fatos enquanto a memória está fresca. Isso orienta o recorte do exame e economiza tempo depois.

Resolva a base jurídica

Autorização do titular ou decisão judicial delimitando o escopo. Como se trata de dado sensível de saúde, esse passo protege a validade da prova.

O que reunir para o exame

Quanto mais completo o material inicial, mais o laudo consegue afirmar com segurança.

  • O relógio, carregado e sem uso desde o fato
  • O celular pareado, no mesmo estado
  • Senhas dos aparelhos e das contas, quando houver autorização do titular
  • Autorização escrita do titular ou decisão judicial com escopo definido
  • Modelo, número de série e versão do sistema, se já souber
  • A cronologia dos fatos, com horários e fuso de referência
  • Nomes dos aplicativos de saúde e esporte usados no período
  • Peças do processo e quesitos, se já houver ação em curso

Dúvidas frequentes

Perguntas sobre perícia em Galaxy Watch

É possível fazer perícia em Galaxy Watch?

É, e o cenário aqui costuma ser mais favorável do que em outros relógios inteligentes. Além do caminho pelo celular pareado e pelas contas vinculadas, os modelos Samsung admitem, em determinadas condições, aquisição diretamente no relógio por meio de depuração em rede, recurso que amplia bastante o que pode ser recuperado. A viabilidade depende do modelo, do sistema instalado e do estado do aparelho, e isso é avaliado antes de qualquer contratação.

Qual a diferença entre os modelos com Tizen e com Wear OS?

As linhas até o Galaxy Watch3, incluindo Gear S3 e os Active, rodam Tizen. A partir do Galaxy Watch4 a Samsung migrou para o Wear OS com sua própria interface. A mudança altera a organização interna dos dados, os aplicativos disponíveis e o caminho técnico de aquisição, embora a lógica do exame permaneça a mesma. Identificar corretamente a plataforma é o primeiro passo de qualquer trabalho sério.

Os dados ficam no relógio ou no celular?

Nos dois, com papéis diferentes. O relógio guarda medições recentes e tudo que ainda não sincronizou. O celular consolida o histórico nas bases do aplicativo de saúde e nos registros do sistema, e as contas vinculadas replicam parte disso quando a sincronização está ativa. Por isso o exame mais produtivo reúne relógio, celular e, quando autorizado, as contas.

Preciso entregar o celular junto com o relógio?

Sempre que possível, sim. O aparelho pareado costuma concentrar o histórico consolidado, o conteúdo das conversas e os registros de sistema que permitem reconstruir a cronologia. Existe exame possível apenas com o relógio, sobretudo quando a aquisição direta é viável, mas o resultado é bem mais completo com os dois dispositivos.

O que acontece se eu desemparelhar ou redefinir o relógio?

A redefinição apaga o conteúdo do aparelho, e o processo de remoção pelo aplicativo de gerenciamento costuma levar ao mesmo resultado. Parte do histórico pode ter sido salva antes, no celular ou na conta, mas o dispositivo em si volta ao estado de fábrica. Por isso a primeira orientação é não desemparelhar, não redefinir e não sair das contas enquanto a preservação não for feita.

O relógio prova que a pessoa estava usando o aparelho?

Indica, com uma ressalva importante. O bloqueio automático ao retirar do pulso é uma configuração opcional nesses aparelhos, e muita gente mantém desativado. Quando está ativo, a sequência de bloqueios e desbloqueios cria uma boa evidência de uso contínuo. Quando não está, a continuidade precisa ser inferida das medições dos sensores, o que é possível, mas com força probatória menor.

Dá para saber onde a pessoa estava?

Em muitas situações sim. Treinos ao ar livre gravam rota completa com coordenadas e horários, e outros registros permitem inferir deslocamento. Modelos com GPS próprio produzem dados independentes do celular, enquanto os demais dependem do aparelho pareado. A precisão varia com as condições de captação, e o laudo apresenta essa margem em vez de tratar cada ponto como exato.

A frequência cardíaca serve como prova?

Serve como elemento de contexto, e às vezes é decisiva. Uma série contínua demonstra que o dispositivo estava em uso e permite identificar esforço, repouso, sono e interrupções abruptas. O que ela não faz é diagnosticar nem apontar causa. O laudo apresenta a curva, o intervalo de captação e a origem do dado, deixando a leitura clínica para quem tem competência para isso.

É possível recuperar dados apagados do Galaxy Watch?

Depende de onde o dado estava e de qual aquisição é viável. Registros já sincronizados com o celular ou com as contas frequentemente sobrevivem à exclusão feita no relógio. No próprio aparelho, quando a extração alcança as bases internas, existe chance real de recuperar registros removidos, situação mais favorável do que em plataformas totalmente fechadas.

É possível extrair dados por depuração no relógio?

Em determinadas condições sim, e essa é uma diferença relevante desses aparelhos. Tanto a linha Tizen quanto a linha Wear OS oferecem depuração por rede, que permite aquisição lógica do conteúdo acessível quando as opções de desenvolvedor podem ser habilitadas com autorização e o dispositivo está desbloqueado. Não é um caminho universal, depende de modelo, versão e estado, e a avaliação é feita caso a caso.

E se o relógio estiver bloqueado com PIN ou padrão?

Sem o código, o acesso direto fica bastante restrito, porque o conteúdo é protegido por criptografia. O caminho passa a ser o celular pareado e as contas vinculadas, com as autorizações cabíveis. Tentativas repetidas de adivinhação podem disparar limpeza automática em algumas configurações, então nada deve ser tentado antes da orientação do perito.

Dados de saúde guardados na conta do fabricante podem ser obtidos?

Podem, com base jurídica adequada. Parte do histórico é sincronizada com a conta do fabricante quando o usuário habilita esse recurso, e existe ainda a possibilidade de exportação pelo próprio titular. Na prática, o acesso costuma depender das credenciais dele ou de autorização judicial, e cada caso é avaliado antes para não gerar expectativa sobre material que talvez não possa ser obtido.

A detecção de queda fica registrada?

Fica, nos modelos que contam com o recurso, disponível desde a geração do Galaxy Watch3. O registro inclui o horário do evento, o eventual acionamento de emergência com envio de localização e os dados de movimento e batimentos ao redor daquele instante, conjunto que costuma ser central em casos de acidente e de mal súbito.

Eletrocardiograma, pressão e composição corporal entram no exame?

Entram quando o modelo dispõe do sensor e o recurso está liberado para uso. Medições de eletrocardiograma, pressão arterial e análise de composição corporal geram registros datados no aplicativo de saúde. O laudo trata esses dados como registros técnicos com data, horário e origem, sem qualquer interpretação clínica, que cabe a profissional da área médica.

Dá para determinar a hora exata de um evento?

Dá para estabelecer uma janela bastante estreita, cruzando registros de sensores, eventos do sistema e dados do celular pareado. O laudo sempre indica o fuso horário considerado e a fonte de cada carimbo de tempo, porque registros verdadeiros podem parecer contraditórios quando essa informação é omitida.

Serve em processo trabalhista para discutir jornada?

Serve como elemento indiciário. Dados de sono, atividade, deslocamento e uso do dispositivo ajudam a discutir períodos de trabalho, sobreaviso e descanso, sobretudo quando confrontados com registros de sistemas da empresa. Não é ponto eletrônico e não substitui a prova documental, mas frequentemente confirma ou desmonta uma versão.

Seguradoras podem usar esses dados em sinistro?

Podem, tanto para contestar quanto para comprovar. Registros de movimento, localização, batimentos e detecção de queda permitem confrontar a dinâmica narrada. Como se trata de dado sensível, o acesso depende de autorização do titular ou de determinação judicial, e um laudo produzido sem essa base tende a ser questionado antes mesmo do mérito técnico.

Dados de saúde são sensíveis? Preciso de autorização?

São. A Lei Geral de Proteção de Dados classifica dados referentes à saúde e dados biométricos como pessoais sensíveis, com regime de tratamento mais rigoroso. Na prática, o exame exige consentimento do titular ou autorização judicial que delimite o escopo, e o laudo deve se restringir ao que responde aos quesitos, sem expor informação clínica desnecessária ao caso.

Posso periciar o Galaxy Watch do meu cônjuge?

Não sem base jurídica. Acessar dispositivo alheio sem consentimento do titular ou sem autorização judicial pode configurar invasão de dispositivo informático, prevista no art. 154-A do Código Penal, e a prova obtida assim tende a ser considerada ilícita. Como aqui ainda se somam dados sensíveis de saúde, o cuidado é maior. Só aceitamos trabalhos com fundamento definido.

O relógio registra mensagens e chamadas?

Registra notificações espelhadas do celular, respostas enviadas pelo próprio relógio e chamadas atendidas ou iniciadas nele. Nos modelos com conexão celular própria, o aparelho funciona de forma independente e gera rastro adicional junto à operadora. O conteúdo completo das conversas costuma estar no celular, o que reforça a importância do exame conjunto.

Pagamentos por aproximação deixam registro?

Deixam. A carteira digital mantém histórico de transações feitas pelo relógio, com data, horário e estabelecimento, informação útil para posicionar a pessoa no tempo e no espaço. Esse registro costuma ser confrontado com o extrato bancário e com as demais evidências reunidas no caso.

Por quanto tempo os dados ficam guardados?

Varia por tipo de registro e por configuração do usuário. Séries detalhadas de sensores tendem a ser consolidadas com o tempo, enquanto treinos, marcos de atividade e eventos relevantes costumam persistir por mais tempo no celular e nas contas. Como não existe garantia de retenção, a preservação imediata é sempre a decisão mais segura.

Funciona se o relógio estiver pareado a um iPhone?

Depende da geração. Modelos mais antigos ofereciam pareamento com iPhone, recurso descontinuado a partir do Galaxy Watch4, que trabalha apenas com Android. Isso muda o caminho do exame, porque a fonte consolidada passa a ser um aparelho com outra estrutura interna e outras possibilidades de extração, detalhadas na página de perícia em Apple Watch.

É preciso a senha do celular ou das contas?

Para os caminhos mais produtivos, sim. Com a senha do celular e a autorização do titular, ou com determinação judicial que viabilize o acesso, a extração alcança o histórico consolidado e as contas vinculadas. Sem essas credenciais, o exame fica restrito ao que for acessível no dispositivo e a eventuais backups já existentes.

Vocês fazem a extração ou apenas analisam material já coletado?

Fazemos as duas coisas. Conduzimos a aquisição com procedimento documentado e cadeia de custódia e também atuamos como assistentes técnicos analisando material coletado por terceiros, situação em que a primeira verificação é justamente se o método de coleta preservou a integridade do que foi extraído.

Quanto tempo leva e quanto custa a perícia?

Casos com um relógio, o celular pareado e quesitos objetivos costumam ficar prontos em poucos dias úteis. O prazo cresce quando é preciso correlacionar longos períodos, múltiplos dispositivos ou dados de aplicativos de terceiros. Após a consulta inicial, sem compromisso, enviamos proposta com escopo, prazo e valor fechados.

Os dados de saúde podem ser adulterados?

Podem existir registros que não vieram do sensor, porque o aplicativo de saúde aceita entrada manual e recebe informações de aplicativos de terceiros e de camadas de integração do sistema. Por isso o exame identifica a origem de cada dado, distinguindo o que foi medido pelo relógio, o que foi digitado e o que chegou de outra fonte. Essa separação costuma ser decisiva.

Como preservar o relógio até a perícia?

Mantenha o aparelho carregado, não desemparelhe, não redefina, não saia das contas e pare de usar o dispositivo, porque o uso continuado sobrescreve registros. Guarde também o celular pareado nas mesmas condições e evite conexão com redes que permitam apagamento remoto. Antes de qualquer providência, fale com um perito.

Entenda a fundo

A testemunha que ninguém pensou em intimar

Por que o vestível mudou o jogo

Durante anos, a prova digital de presença dependia de celular, e celular é fácil de deixar em casa, emprestar ou desligar. O relógio é diferente por um motivo simples: ele fica no corpo. Mede continuamente, acompanha o sono, registra o treino e sabe quando a pessoa se levantou. Essa continuidade cria uma linha do tempo difícil de fabricar depois, e é isso que tem levado esse tipo de dado a aparecer com frequência crescente em processos de acidente, seguro e apuração de horário.

No caso dos modelos Samsung, existe um detalhe que costuma passar despercebido e que muda a estratégia: o bloqueio automático ao retirar do pulso é opcional. Em Apple Watch ele é o comportamento padrão e cria uma cadeia de uso bastante robusta. Aqui, se o usuário nunca ativou o recurso, a continuidade precisa ser construída a partir das próprias medições dos sensores. Continua sendo possível, só exige mais cuidado na formulação da conclusão, e um laudo honesto diz isso em vez de esconder.

O dado de saúde pede um cuidado a mais

Existe uma diferença relevante entre periciar um notebook e periciar um relógio de pulso. No segundo caso, o material examinado é dado pessoal sensível, na classificação da Lei Geral de Proteção de Dados, e revela rotina íntima, condição física e padrões de sono. Isso muda o desenho do trabalho, ou seja, o escopo precisa ser delimitado por autorização ou decisão, o acesso deve ser restrito e o laudo não deve expor informação clínica que nada tem a ver com os quesitos.

Esse cuidado não é formalidade, é o que sustenta a prova. Exame produzido sem base jurídica clara vira discussão sobre licitude e some do processo, por melhor que seja tecnicamente. É a mesma lógica que orienta as demais frentes de perícia digital, ancorada na cadeia de custódia e no exame do aparelho pareado, que quase sempre acompanha o relógio.

Mitos e realidade

O que se acredita e o que a técnica sustenta

Boa parte da frustração com esse tipo de perícia nasce de expectativa formada em série de TV. Vale corrigir algumas antes de contratar.

Basta conectar um cabo e baixar tudo
O relógio não tem porta de dados convencional. Existe aquisição direta por depuração em rede em cenários específicos, e o restante vem do celular pareado e das contas.
O relógio identifica quem estava usando
Ele demonstra que estava em uso, medindo determinada coisa. Vincular esse uso a uma pessoa específica depende de outros elementos do caso.
Batimento acelerado prova susto ou mentira
Frequência cardíaca sobe por esforço, café, calor, ansiedade e dezenas de outros motivos. O dado mostra variação, não a causa dela.
Se apagou do relógio, acabou
Muito do que é apagado no aparelho já foi sincronizado para o celular ou para as contas, e backups anteriores costumam preservar o que sumiu depois.
Captura de tela do aplicativo resolve
Uma imagem do aplicativo não traz origem do dado, margem, fuso nem integridade verificável. Serve como indício e cai no primeiro questionamento sério.
Todo modelo registra as mesmas coisas
Sensores mudam entre gerações e linhas. Eletrocardiograma, pressão arterial, composição corporal e temperatura não estão em todos os aparelhos.
Tizen e Wear OS são a mesma coisa
São plataformas distintas, com organização interna de dados e caminhos de aquisição diferentes. Identificar isso é o primeiro passo do exame.
O relógio sempre bloqueia ao sair do pulso
Nesses aparelhos o recurso é opcional. Quando está desligado, a evidência de uso contínuo precisa ser construída pelas medições dos sensores.
Dado de saúde não pode ser adulterado
O aplicativo aceita entrada manual e recebe informação de terceiros por integração. Por isso o exame separa o que veio do sensor do que foi digitado.
A localização do relógio é sempre precisa
A precisão varia com o modelo, com a fonte do dado e com as condições de recepção. O laudo apresenta a margem em vez de tratar o ponto como exato.
Se ficou sem bateria, perdi tudo
O histórico já sincronizado permanece no celular e nas contas. O que se perde é o que ainda não havia sido transferido, e nem sempre isso é o essencial.
Consigo periciar o relógio de outra pessoa
Sem consentimento do titular ou autorização judicial, o acesso pode configurar crime e a prova tende a ser ilícita, com o agravante de envolver dado sensível.

Dado sensível e legislação

O que a lei exige antes de examinar

Aqui a discussão começa antes da técnica. A Lei Geral de Proteção de Dados classifica dado referente à saúde e dado biométrico como pessoal sensível, submetendo o tratamento a hipóteses específicas e a um cuidado maior de finalidade e necessidade. Um exame que varre indiscriminadamente anos de histórico para responder uma pergunta sobre um único dia dificilmente sobrevive ao contraditório, mesmo que a técnica empregada seja impecável. Por isso o escopo é delimitado logo no início, por autorização escrita do titular ou por decisão judicial.

O segundo ponto é a licitude do acesso. Examinar dispositivo alheio sem consentimento ou sem ordem judicial pode configurar invasão de dispositivo informático, tipificada no art. 154-A do Código Penal, e a prova assim obtida tende a ser rejeitada com base no art. 5º, LVI, da Constituição. Vale um alerta específico para esses aparelhos: como a via de depuração é tecnicamente acessível, existe a tentação de habilitá-la por conta própria antes de procurar um perito. Isso altera o estado do dispositivo, deixa rastro e compromete tanto a integridade quanto a licitude do material.

Resolvidas essas duas questões, valem as regras gerais da prova. No processo civil, os arts. 464 a 480 do Código de Processo Civil disciplinam a perícia, com o art. 473 exigindo exposição do objeto, método empregado e resposta conclusiva aos quesitos. No penal, os arts. 158-A a 158-F do Código de Processo Penal tratam da cadeia de custódia do vestígio, disciplina que se aplica integralmente a um relógio apreendido, inclusive quanto ao acondicionamento e ao transporte.

Sinais de que o laudo sobre o vestível é frágil

O que examinamos primeiro quando o exame foi produzido pela outra parte.

  • Conclusão baseada apenas em capturas de tela do aplicativo de saúde
  • Plataforma do aparelho não identificada no relatório
  • Ausência de indicação da origem do dado, se sensor, manual ou aplicativo externo
  • Horários apresentados sem fuso de referência nem fonte do carimbo de tempo
  • Margem de precisão das medições simplesmente omitida
  • Uso contínuo afirmado sem verificar se o bloqueio ao retirar do pulso estava ativo
  • Depuração habilitada sem registro de quando, por quem e com qual autorização
  • Ausência de demonstração da base jurídica que autorizou o acesso

Glossário

Os termos do exame em vestíveis, sem mistério

O vocabulário que aparece em laudos e quesitos sobre relógios inteligentes. O panorama do método está na página de perícia digital.

Dispositivo vestível
Equipamento usado junto ao corpo que mede continuamente sinais do usuário. Difere do celular porque o contato físico permanente cria uma cronologia mais difícil de forjar.
Tizen
Sistema usado nos modelos até o Galaxy Watch3, com organização interna própria de aplicativos e bases de dados, e caminho de aquisição específico.
Wear OS
Plataforma adotada a partir do Galaxy Watch4, com interface própria da fabricante, integrada aos serviços do sistema Android do celular pareado.
Depuração em rede
Canal usado por desenvolvedores para inspecionar o dispositivo sem cabo. Quando pode ser habilitado com autorização, viabiliza aquisição lógica direta no relógio.
Aquisição lógica
Coleta do conteúdo acessível pelo sistema, sem cópia bruta da memória. É o alcance possível na maioria dos vestíveis.
Pareamento
Vínculo entre o relógio e o celular, que define para onde os dados sincronizam. Refazê-lo com outro aparelho reinicia o dispositivo e quebra o histórico local.
Bloqueio ao retirar do pulso
Recurso opcional que tranca o relógio quando ele sai do braço. Ativado, gera a evidência de uso contínuo mais aproveitada em perícia.
Fotopletismografia
Técnica óptica usada pelo sensor de batimentos, que mede variação de luz refletida pela pele. Explica por que tatuagens, suor e ajuste da pulseira afetam a leitura.
Bioimpedância
Método usado na análise de composição corporal, que aplica corrente elétrica imperceptível para estimar massa e gordura. Gera registros datados no aplicativo.
Eletrocardiograma
Registro elétrico do coração disponível em modelos equipados e onde o recurso está liberado, gerado a pedido do usuário e arquivado com data e horário.
Estágios do sono
Classificação estimada do sono em fases, calculada a partir de movimento e batimentos. É estimativa, não exame clínico do sono.
Sessão de treino
Registro estruturado de uma atividade, com início, fim, tipo, batimentos e, nas modalidades ao ar livre, a rota completa com coordenadas.
Detecção de queda
Recurso que identifica queda brusca a partir dos sensores de movimento e oferece acionamento de emergência com envio de localização.
Entrada manual
Dado digitado pelo usuário no aplicativo de saúde, sem origem em sensor. Tem peso probatório diferente e precisa ser separado no laudo.
Camada de integração de saúde
Serviço do sistema que centraliza e redistribui dados entre aplicativos. Explica por que um registro pode ter nascido fora do relógio.
Sincronização
Transferência dos dados do relógio para o celular e, quando ativa, para as contas. Define quanto tempo cada registro permanece apenas no relógio.
Backup do vestível
Cópia criada no celular ou na conta do fabricante. Costuma ser a única fonte restante depois de uma redefinição do aparelho.
Isolamento de rede
Procedimento que impede o aparelho de se comunicar, evitando sincronização indesejada e apagamento remoto durante a preservação.
Hash
Assinatura matemática do material coletado. Qualquer alteração posterior muda o valor, o que torna a adulteração detectável.
Cadeia de custódia
Registro documentado de tudo que aconteceu com o vestígio desde a coleta até a apresentação em juízo, exigência dos arts. 158-A a 158-F do CPP.
Carimbo de tempo e fuso
Data e hora de cada registro. Sem indicação do fuso e da fonte do relógio, dois dados verdadeiros podem parecer contraditórios.
Dado pessoal sensível
Categoria da LGPD que abrange informação de saúde e biometria, com regime de tratamento mais restrito e exigência de finalidade específica.

Onde atendemos

Atendimento em todo o Brasil

A base fica em Governador Valadares, em Minas Gerais. A orientação de preservação é imediata e remota, e a coleta acontece por envio seguro dos aparelhos ou presencialmente, conforme o caso exigir.

Como aqui o risco de perder a prova está no manuseio, o atendimento começa sempre por telefone ou vídeo, no mesmo dia, para orientar o que fazer com o relógio e com o celular antes de qualquer outra providência. Essa conversa costuma valer mais do que qualquer técnica aplicada depois, porque impede a redefinição, o novo pareamento e o uso continuado.

Depois disso, os aparelhos podem ser enviados com termo de recebimento e lacre, ou coletados presencialmente quando há apreensão formal, necessidade de acompanhamento por advogado das duas partes ou diligência determinada pelo juízo. O exame combina as frentes de dispositivos móveis e de perícia digital, sempre com cadeia de custódia documentada.

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