Pentest em aplicação web para saúde

Pentest para saúde: portal do paciente, prontuário e telemedicina

Atualizado em 2 de novembro de 2026. Próxima revisão prevista para fevereiro de 2027.
Por Julio Cesar Madeira Soares, especialista em segurança da informação, especialista em segurança cibernética e perito em computação forense.

Dado de saúde é dado pessoal sensível. Testamos portal do paciente, prontuário, laudo e telemedicina para descobrir se alguém alcança o exame ou a consulta de outra pessoa, provando a falha sem abrir mais dado do que o necessário.

Base em Governador Valadares/MG · Atendimento remoto em todo o Brasil

Resposta direta

Pentest para saúde é um ataque simulado e autorizado contra os sistemas que guardam ou mostram dado de paciente. A pergunta central é uma só: alguém consegue ver o exame, o laudo, a receita ou a consulta de outra pessoa? O teste responde a isso com evidência e usando o mínimo de dado real.

O dado referente à saúde é sensível pela LGPD (art. 5º, II), e o dado sensível é um dos critérios de incidente relevante, que precisa ser comunicado à ANPD e aos titulares em três dias úteis (Resolução CD/ANPD nº 15/2024, arts. 5º, 6º e 9º). Agente de pequeno porte tem o prazo em dobro.

O que não prometemos. Pentest não certifica sistema e não substitui a certificação SBIS/CFM. Se o sistema é de um fornecedor, só testamos com autorização dele. Sem isso, o escopo fica no que é seu, como o site e o portal próprios.

O que muda

O que muda quando o dado é de saúde

A técnica é a mesma de qualquer aplicação. O que muda é o que acontece quando a falha aparece, e o cuidado para prová-la.

Vazamento não se desfaz. Dá para trocar senha e cancelar cartão. Não dá para trocar um diagnóstico. Um laudo aberto por um número sequencial expõe o paciente de um jeito que nenhuma correção posterior resolve.

O sigilo é anterior à LGPD. A Resolução CFM nº 1.821/2007 lembra que os dados do prontuário pertencem ao paciente e que o sigilo vale em qualquer meio de armazenamento. A Resolução CFM nº 2.314/2022 pede guarda, integridade, confidencialidade e sigilo profissional também na telemedicina (art. 3º).

Certificação e teste respondem a perguntas diferentes. O NGS2 é um nível de garantia do manual SBIS/CFM, exigido para o registro eletrônico. O pentest olha outra coisa: se a sua instalação, com seu portal, suas integrações e seus perfis, deixa alguém chegar onde não deveria. Um não ocupa o lugar do outro.

Sistema de saúde não pode parar. Agenda, prontuário e laudo sustentam o atendimento. Por isso a janela é combinada, os testes que podem afetar a disponibilidade ficam de fora ou vão para homologação, e existe um contato para interromper o teste na hora.

As regras

As regras que pesam em um sistema de saúde

Nenhuma delas usa a palavra pentest. Todas pedem algo que só se comprova testando.

Normas aplicáveis a sistemas de saúde e o que o teste de intrusão ajuda a verificar em cada uma.
Norma O que diz O que o teste verifica
LGPD, arts. 5º, II, e 46 Dado de saúde é sensível, e o agente de tratamento precisa de medidas aptas a protegê-lo. Se essas medidas funcionam contra quem tenta alcançar o dado de outra pessoa.
Res. CD/ANPD 15/2024, arts. 5º, 6º e 10 Critérios de incidente relevante, prazo de três dias úteis e registro dos incidentes por pelo menos cinco anos. Que dado poderia ser alcançado e por qual caminho, o que acelera a avaliação se algo acontecer.
Res. CFM 2.314/2022, art. 3º Telemedicina com guarda, integridade e confidencialidade, e sistemas que se comunicam com garantia de privacidade (§5º). Sala de consulta, gravação, documentos e APIs entre os sistemas.
Res. CFM 1.821/2007 Sistemas de prontuário sem papel precisam atender ao NGS2 do manual SBIS/CFM. Não verifica a certificação. Testa a instalação e o que foi construído em volta dela.
Lei 13.787/2018, arts. 2º e 4º Prontuário digitalizado com integridade, autenticidade e confidencialidade, e armazenamento protegido contra acesso não autorizado. Onde os arquivos ficam, quem consegue abri-los e se dá para alterá-los.

O que testamos

O que testamos em sistemas de saúde

Clínica, laboratório, hospital e healthtech têm sistemas diferentes, mas as perguntas se repetem.

Exame e laudo de outra pessoa

Trocar protocolo ou número do exame, adivinhar link de resultado, baixar PDF sem sessão e consultar o resultado com dados fáceis de obter.WSTG-ATHZ · OWASP A01:2025

Portal do paciente

Cadastro que permite descobrir quem é paciente da clínica, recuperação de senha fraca, tentativas sem limite e acesso cruzado entre titular e dependente.WSTG-ATHN · OWASP A07:2025

Prontuário e perfis internos

Recepção alcançando evolução clínica, profissional vendo paciente fora da sua unidade e usuário desligado que mantém acesso.WSTG-ATHZ · OWASP A01:2025

Teleconsulta

Link de sala reaproveitável, entrada de terceiro na consulta, gravação e chat acessíveis, anexos enviados pelo paciente e permissões do profissional.WSTG-SESS · OWASP A01:2025

Receita, atestado e documentos

Armazenamento aberto, documento alterável depois de emitido e validação que aceita arquivo adulterado, em fluxos que dependem de assinatura digital.OWASP A02 e A08:2025 · Res. CFM 2.314/2022, art. 13

Integrações

APIs com laboratório, operadora e sistema de imagem, padrões como HL7 e FHIR e robôs de atendimento por mensagem que entregam resultado de exame.OWASP API1 e API10:2023

Como testamos

Como testar sem abrir o prontuário de ninguém

Provar a falha não exige ler o dado. Esses são os cuidados combinados antes de começar.

Pacientes fictícios

Base de teste

Sempre que possível, trabalhamos com homologação e pacientes fictícios. Em produção, criamos pacientes de teste identificados e testamos o acesso cruzado entre eles.

Prova mínima

Se aparecer dado real

Paramos no mínimo que comprova a falha, não copiamos o conteúdo e mascaramos a evidência. Esse tipo de achado é comunicado a você assim que confirmado.

Atendimento

Sem atrapalhar a operação

Janela combinada, nada de teste de carga em produção e um contato de plantão para interromper o trabalho, se algo afetar a agenda ou o prontuário.

Que dado foi alcançado Categoria sensível ou comum Evidência mascarada Falha classificada por risco Correção recomendada Reteste das correções

Quem também precisa de encarregado encontra as duas coisas juntas em DPO como serviço. O método, as modalidades e os limites do que o relatório prova estão em Pentest em aplicação web.

Responsável técnico

Quem conduz o teste

Julio Cesar Madeira Soares, pentester e perito em computação forense, responsável técnico pela Infosec Security
Julio Cesar Madeira Soares
Quem assina o trabalho

Julio Cesar Madeira Soares

Pentester e perito em computação forense

Atuo desde 2015 em teste de intrusão, pesquisa de vulnerabilidades e programas de bug bounty, e sou membro do Synack Red Team desde 2018. Tenho a certificação CompTIA PenTest+ e fiz o treinamento SEC542 do SANS, de teste de intrusão em aplicações web, sem prestar a certificação GIAC correspondente.

Também atuo como perito em computação forense, e a disciplina é a mesma: registrar o que foi feito e tocar no mínimo de dado necessário.

Ver certificações e reconhecimento público

Nossa base é Governador Valadares/MG, e o atendimento é remoto em todo o Brasil. Outros setores: Pentest para fintech, Pentest para e-commerce e Pentest para SaaS.

Dúvidas frequentes

Perguntas sobre pentest na área da saúde

Clínica pequena precisa de pentest?

Não conhecemos regra geral que imponha pentest a toda clínica ou consultório. O dever é ter medidas aptas a proteger os dados (LGPD, art. 46). Se a clínica só usa um sistema pronto, sem portal próprio, o melhor começo costuma ser cobrar do fornecedor a evidência de teste e revisar perfis e acessos. O pentest passa a fazer sentido quando há portal, integração ou sistema próprio.

O sistema tem certificação SBIS. Ainda preciso de pentest?

São coisas diferentes. A certificação avalia o produto contra os requisitos do manual SBIS/CFM. O pentest testa a sua instalação, com os perfis, o portal e as integrações que você colocou em volta. Falhas podem aparecer justamente nesse entorno, que a certificação do produto não enxerga.

O pentester vai ver os prontuários?

O objetivo é não ver. Usamos pacientes fictícios sempre que possível. Se o teste alcançar dado real, paramos no mínimo que comprova a falha, não copiamos o conteúdo, mascaramos a evidência e comunicamos você assim que confirmado. Tudo isso fica sob contrato de sigilo.

O fornecedor do sistema precisa autorizar o teste?

Se o sistema é hospedado ou mantido por ele, sim. Testar sem essa autorização pode violar o contrato e criar problema legal. Sem a autorização, o escopo fica no que é seu: site, portal próprio, integrações e configuração de perfis. Muitas vezes vale pedir ao fornecedor o relatório do teste que ele próprio contratou.

Telemedicina tem regra própria de segurança?

Sim. A Resolução CFM nº 2.314/2022 exige que os dados sejam preservados com integridade, confidencialidade e sigilo profissional (art. 3º), que o sistema de registro eletrônico atenda ao NGS2 (§2º) e que os sistemas que se comunicam garantam privacidade (§5º). Atestados, relatórios e receitas emitidos à distância pedem assinatura digital no padrão ICP-Brasil (art. 13).

Uma falha encontrada no teste precisa ser comunicada à ANPD?

Falha encontrada em teste autorizado é uma fragilidade, e não um incidente, então ela vai para o relatório e para a correção. Se houver sinal de que terceiros já acessaram os dados, o caso passa a ser possível incidente. Com dado sensível, a avaliação precisa ser rápida, porque o prazo de comunicação é de três dias úteis a partir do conhecimento (Resolução CD/ANPD nº 15/2024, art. 6º).

Um paciente consegue abrir o exame de outro?

Conte quais sistemas você usa, quem os mantém e o que é seu. Eu digo com franqueza o que dá para testar, o que depende do fornecedor e se o teste faz sentido agora.

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