Pentest em aplicação web
Pentest em aplicação web: o que o scanner não enxerga
Atualizado em 2 de novembro de 2026. Próxima revisão prevista para fevereiro de 2027.
Por Julio Cesar Madeira Soares, especialista em segurança da informação, especialista em segurança cibernética e perito em computação forense.
Uma aplicação web pode passar limpa em todas as varreduras e ainda entregar a fatura de um cliente para outro. Testamos site, sistema e API à mão, com contas de teste de cada perfil, para mostrar o que alguém consegue fazer ali sem ter permissão.
Base em Governador Valadares/MG · Atendimento remoto em todo o Brasil
Sistemas web · APIs · Portais · E-commerce · Autorização e regra de negócio
Pentest em aplicação web é um ataque simulado e autorizado contra o seu site, sistema, portal ou API. O objetivo é descobrir o que alguém consegue fazer ali sem ter permissão. Combinamos ferramentas com teste manual e entregamos cada falha com evidência, classificação de risco, caminho de exploração, correção recomendada e reteste.
O teste manual pesa porque o primeiro lugar do OWASP Top 10:2025 é do controle de acesso quebrado (A01). Um scanner não sabe que o cliente A não deveria ver a fatura do cliente B. Para ele, as duas respostas parecem normais.
O que não prometemos. Pentest não prova que a aplicação é segura. Ele mostra o que foi possível encontrar naquele escopo, naquele período e naquela versão do sistema. Código novo pode mudar o resultado.
O problema
Por que o scanner não basta em aplicação web
A varredura automática tem lugar, e a gente usa. Ela é rápida para achar componente desatualizado e configuração ruim. O problema é tratar o resultado dela como se fosse pentest.
O scanner não conhece a regra do seu negócio. Ele não sabe quem é o dono de cada registro, que o cupom só vale uma vez ou que quem criou o pedido não pode aprová-lo. Essa lógica está na cabeça de quem fez o sistema, e é justamente ela que um atacante vai testar.
Falha de autorização não parece erro. A aplicação responde normalmente, com os dados bem formatados. Só que são os dados de outra pessoa. Sem duas contas e alguém comparando as respostas, ninguém percebe.
Falhas pequenas se somam. Uma mensagem de erro que revela um identificador, uma rota sem checagem de dono e um token que não expira valem pouco separados. Juntos, podem abrir o cadastro inteiro. Ferramenta lista cada item isoladamente. Encadear é trabalho de gente.
Aplicação web fica exposta por natureza. O firewall de rede precisa deixar passar o que a aplicação recebe, e uma requisição que abusa da regra de negócio parece uma requisição comum. Firewall de aplicação pode ajudar, mas não corrige a falha que está no sistema.
Na prática
Varredura automática e pentest manual: o que muda
As mesmas perguntas, respondidas de duas maneiras.
| Pergunta | Varredura automática | Pentest manual |
|---|---|---|
| Um cliente acessa dados de outro? | Não sabe dizer, porque não conhece o dono de cada registro. | Testamos com contas diferentes, trocando identificadores nas telas e nas chamadas de API. |
| Dá para burlar a regra de negócio? | Não testa, porque não conhece o fluxo. | Alteramos preço, quantidade e cupom, pulamos etapas e repetimos requisições ao mesmo tempo. |
| Um usuário comum vira administrador? | Só nota nos casos óbvios, como uma página administrativa aberta. | Chamamos cada função restrita com perfis menores e sem sessão. |
| Há componente com falha conhecida? | É onde ela vai bem: rápida e ampla. | Aproveitamos esse resultado e verificamos se a falha é explorável na sua aplicação. |
| Esse alerta é real? | Pode ser falso positivo, e alguém precisa separar. | Cada achado do relatório vem com evidência e passos para reproduzir. |
| Falhas menores viram algo grave? | Lista cada uma isoladamente. | Tentamos encadear as falhas, como um atacante faria, e mostramos aonde isso chega. |
O que testamos
O que testamos em um pentest de aplicação web
A referência é o OWASP: o Top 10:2025 como mapa de riscos, o guia de testes WSTG para os casos de teste e o ASVS quando o cliente quer verificar requisitos. Cada bloco traz a categoria correspondente, para você conferir na fonte.
Controle de acesso
Acesso a dado de outro usuário ou de outra empresa (IDOR), função restrita chamada por perfil menor, separação entre clientes em sistema multiempresa e SSRF.OWASP A01:2025 · WSTG-ATHZ
Autenticação e sessão
Login, recuperação de senha, segundo fator, força bruta, tokens e sessão que sobrevive ao logout ou à troca de senha.OWASP A07:2025 · WSTG-ATHN · WSTG-SESS
Injeção e entrada de dados
SQL, comandos do sistema operacional, XSS, templates e qualquer campo em que a aplicação confia no que recebe do usuário.OWASP A05:2025 · WSTG-INPV
Regra de negócio
Preço e cupom alterados na requisição, etapa de pagamento ou aprovação pulada, limite ignorado, condição de corrida e upload de arquivo sem controle.OWASP A06:2025 · WSTG-BUSL
APIs
REST, GraphQL e as chamadas internas usadas pelo front-end e pelo aplicativo. Autorização por objeto e por campo, função administrativa exposta, limite de consumo e API esquecida.OWASP API Security Top 10:2023 · WSTG-APIT
Configuração, segredos e dependências
Painel e homologação expostos, CORS mal configurado, chave de API no JavaScript, mensagem de erro que revela demais e biblioteca com falha conhecida.OWASP A02, A03 e A10:2025 · WSTG-CONF · WSTG-ERRH
O escopo é fechado com você antes de começar. Rede, nuvem, aplicativo móvel e engenharia social são outros testes, descritos em Pentest. Para saber o que a empresa inteira expõe na internet, além desta aplicação, veja Pentest externo.
Modalidades
Pentest web em caixa-preta, caixa-cinza ou caixa-branca
A modalidade define o que recebemos antes de começar. Para aplicação com login, a caixa-cinza costuma render mais.
Sem credencial
Partimos do que qualquer pessoa na internet vê. Mostra o que alguém de fora alcança, mas pode gastar o tempo do teste na porta de entrada e não chegar à parte logada.
Com contas de teste
Recebemos contas de cada perfil, de preferência duas por perfil, para testar se um usuário alcança o dado do outro. É a modalidade mais usada, por equilibrar realismo e profundidade.
Com acesso ao código
Além das contas, trabalhamos com código e documentação. É a avaliação mais completa, capaz de achar falhas complexas que o teste de fora dificilmente alcança.
O relatório sai em dois níveis. A versão executiva traduz o risco para quem decide, e a técnica dá ao time de desenvolvimento o que precisa para reproduzir e corrigir cada falha. Provamos a falha com o mínimo de dado pessoal real, e as evidências saem mascaradas. Se a aplicação trata dado pessoal, cada achado também diz que dado foi alcançado, o que alimenta o relatório de impacto da LGPD.
Como funciona
Como funciona o pentest em aplicação web
Nada é executado antes da autorização por escrito, e o trabalho só termina quando a correção é testada de novo.
Escopo e autorização
Definimos URLs, APIs, perfis, ambiente, janela de teste e limites. Autorização e contrato de sigilo ficam assinados antes de qualquer teste.
Mapeamento e teste
Mapeamos telas, rotas e chamadas de API e testamos por categoria, com ferramentas e análise manual. Achado grave é comunicado assim que confirmado, sem esperar o relatório final.
Relatório
Entregamos as versões executiva e técnica, com cada falha classificada por risco, o caminho de exploração e a correção recomendada.
Correção e reteste
Seu time corrige. Depois, repetimos o caminho de exploração de cada falha para confirmar que ela foi mesmo fechada.
Exigências
Quando o pentest em aplicação web é exigência
Nenhuma destas regras fala só de aplicação web, mas ela costuma ser a superfície mais exposta da empresa. Confira sempre a redação vigente da norma que se aplica ao seu caso.
PCI DSS 4.0.1
Quem está no escopo do padrão de cartões precisa de pentest interno e externo pelo menos a cada 12 meses e depois de mudança significativa, com metodologia que inclua a camada de aplicação e reteste das correções. Se a empresa tem auditor PCI (QSA), é ele quem avalia a suficiência. Para loja virtual, veja Pentest para e-commerce.Requisitos 11.4.1 a 11.4.4
Banco Central
Instituições reguladas precisam de teste de intrusão com periodicidade mínima anual, feito com independência por pessoa ou empresa especializada contratada para isso, com vulnerabilidades e planos de ação documentados. Detalhes em Pentest para fintech.Art. 22-A das Res. CMN 4.893/2021 e BCB 85/2021, incluído em dezembro de 2025
LGPD
A lei não fala em pentest, mas exige medidas técnicas e administrativas aptas a proteger os dados pessoais. O teste ajuda a verificar se essas medidas funcionam. Quem precisa de encarregado encontra as duas coisas juntas em DPO como serviço.Lei 13.709/2018, art. 46
A ISO/IEC 27001:2022 também não obriga o pentest com esse nome, mas pede teste de segurança no desenvolvimento e na aceitação (controle 8.29). Fora das normas, o pedido costuma vir de cliente, investidor ou contrato. Nesses casos, vale perguntar antes o que quem pediu espera ver no relatório.
Transparência
O que o pentest prova e o que ele não prova
Relatório de pentest não é selo. Vale saber o que ele sustenta antes de mostrá-lo a um cliente ou a um auditor.
O que ele prova. Que as falhas relatadas existiam e podiam ser exploradas naquela data, naquele escopo e naquela versão do sistema, com evidência que o seu time consegue reproduzir. Depois do reteste, prova também que aquele caminho de exploração foi fechado.
O que ele não prova. Que não existem outras falhas. O teste tem tempo limitado, e o atacante não tem. Uma versão nova, uma integração ou uma biblioteca atualizada podem mudar o resultado no dia seguinte.
Sem autorização, não existe pentest. O art. 154-A do Código Penal pune quem invade dispositivo informático alheio para obter, adulterar ou destruir dados sem autorização expressa ou tácita do usuário. Por isso trabalhamos só com autorização escrita de quem responde pelo sistema. Se a aplicação roda em fornecedor terceiro, vemos antes o que as regras dele permitem.
E se aparecer sinal de invasão anterior. Avisamos na hora. A partir daí o caso é de possível incidente, com preservação de evidências, análise forense e avaliação da comunicação à ANPD e aos titulares (LGPD, art. 48). Como também atuamos em perícia, a passagem do teste para a investigação não começa do zero.
Responsável técnico
Quem conduz o pentest
Você sabe quem assina o trabalho e pode conferir o histórico antes de contratar.
Julio Cesar Madeira Soares
Pentester e perito em computação forense
Atuo desde 2015 em teste de intrusão, pesquisa de vulnerabilidades e programas de bug bounty. Sou membro do Synack Red Team desde 2018 e reporto falhas por HackerOne e Bugcrowd desde 2016, trabalho que rendeu reconhecimento público de Microsoft, eBay, Western Union, Sophos e do Departamento de Defesa dos Estados Unidos.
Em bug bounty, o alvo costuma ser aplicação web e API em produção, e a falha só conta se for provada. É o mesmo critério que levo para o relatório. Também atuo como perito em computação forense, o que ajuda quando o teste encontra sinal de que alguém já entrou antes.
Certificações
- CompTIA PenTest+ ce (2024)
- E|CSA, EC-Council
- Associate C|CISO, EC-Council (2024)
- Generative AI for Cybersecurity, EC-Council (2024)
Treinamento técnico, sem certificação
- SEC542Web App Penetration Testing and Ethical Hacking, SANS Institute
- SEC560Network Penetration Testing and Ethical Hacking, SANS Institute
- SEC660Advanced Penetration Testing, Exploits and Ethical Hacking, SANS Institute
Cursos concluídos como treinamento, sem prestação das certificações GIAC correspondentes.
Ver formação completa e filiaçõesPara quem
Quando contratar um pentest de aplicação web
Quem tem sistema com dado de cliente
SaaS, portal, e-commerce, área logada ou aplicativo com API própria, em que uma falha técnica vira exposição de dado.
- Teste de autorização entre usuários e empresas
- DPO como serviço, se também precisa de encarregado
Quem vai lançar ou mudar um sistema
Sistema novo, grande atualização, troca de plataforma ou integração nova. Testar antes evita colocar uma porta aberta em produção.
- Teste em homologação antes da liberação
- Reteste das correções
Quem precisa comprovar
Exigência de cliente, de auditoria, do PCI DSS ou do Banco Central, em que alguém vai cobrar o relatório.
- Versão executiva para quem cobra
- Auditoria e outros tipos de pentest
Por setor
Pentest web por setor, com atendimento em todo o Brasil
O método é o mesmo. O que muda são as regras e as falhas que mais custam em cada tipo de negócio.
Fintech e pagamento
Teste anual e independente exigido pelo Banco Central, com foco em saldo, Pix e limites.
Pentest para fintechLoja virtual
Preço, cupom, conta de cliente e scripts no checkout, com o PCI DSS conforme a integração.
Pentest para e-commerceSoftware B2B
Isolamento entre clientes, permissões, login corporativo e API, com relatório para o cliente grande.
Pentest para SaaSClínica e telemedicina
Exame, laudo e prontuário de outra pessoa, testados com o mínimo de exposição de dado sensível.
Pentest para saúdeNossa base é Governador Valadares/MG, e atendemos empresas de qualquer estado de forma remota, com o mesmo responsável técnico e o mesmo método. O teste é feito pela internet ou por um acesso combinado com a sua equipe, então o endereço da empresa não muda o trabalho.
Dúvidas frequentes
Perguntas sobre pentest em aplicação web
O que é pentest em aplicação web?
É um ataque simulado e autorizado contra um site, sistema, portal ou API, para descobrir o que alguém consegue fazer ali sem permissão. O trabalho combina ferramentas e teste manual, usa referências como o guia de testes do OWASP (WSTG) e termina em relatório com evidência, classificação de risco, correção recomendada e reteste.
Qual a diferença entre pentest e varredura de vulnerabilidades?
A varredura é automática e procura falhas conhecidas, como componente desatualizado e configuração ruim. O pentest aproveita esse resultado e acrescenta o que a ferramenta não faz: testar autorização entre usuários, burlar regra de negócio, encadear falhas e provar o impacto. Uma não substitui a outra, e o PCI DSS trata as duas como exigências separadas.
O pentest de aplicação web cobre APIs?
Sim, quando estão no escopo, e normalmente devem estar, porque boa parte das regras de uma aplicação fica na API. Usamos como referência o OWASP API Security Top 10:2023. Se a mesma API atende um aplicativo móvel, testamos a API. O aplicativo em si é um escopo à parte.
Caixa-preta, caixa-cinza ou caixa-branca: qual escolher?
Para sistema com login, a caixa-cinza costuma ser a melhor escolha, porque permite testar se um usuário alcança o dado do outro. A caixa-preta mede o que alguém de fora alcança sem credencial. A caixa-branca cabe quando há acesso ao código e se busca a avaliação mais completa. A escolha depende do risco e do prazo, e é feita na definição do escopo.
O teste pode derrubar o sistema? Pode ser feito em produção?
Existe risco, e por isso combinamos janela, limites e contato de emergência antes de começar. Quando há homologação igual à produção, preferimos testar lá, mas parte da configuração só existe em produção. Teste de negação de serviço e qualquer ação que altere dado real só acontecem com autorização expressa.
Com que frequência devo fazer pentest na aplicação?
Depende do risco e das regras que se aplicam a você. O PCI DSS pede pelo menos a cada 12 meses e depois de mudança significativa. O Banco Central pede periodicidade mínima anual para as instituições sujeitas à regra. Fora disso, faz sentido testar antes de lançar um sistema, depois de mudanças grandes e, como referência, uma vez por ano.
Quanto custa e quanto tempo leva?
Depende do tamanho do que será testado: quantidade de perfis, rotas e chamadas de API, fluxos críticos, modalidade e ambiente. Por isso não publicamos tabela. Com o endereço do sistema e essas informações, dizemos o escopo, o prazo e o valor.
O pentest precisa de autorização?
Sim, por escrito e de quem responde pelo sistema. O art. 154-A do Código Penal pune quem invade dispositivo informático alheio para obter, adulterar ou destruir dados sem autorização expressa ou tácita do usuário. Sem autorização, nada é executado. Se a aplicação roda em nuvem ou em fornecedor terceiro, vemos antes o que as regras dele permitem.
Uma falha encontrada no teste é um incidente de segurança?
Por si só, não. Falha é uma fragilidade, e incidente é um evento que compromete dados pessoais. Se o teste encontrar sinais de que o dado já foi acessado por terceiros, o caso passa a ser tratado como possível incidente, com análise forense e avaliação da comunicação à ANPD e aos titulares (LGPD, art. 48, e Resolução CD/ANPD nº 15/2024).
Vocês atendem fora de Minas Gerais?
Sim. Nossa base é Governador Valadares/MG, e o atendimento é remoto em todo o Brasil. O teste é feito pela internet ou, se a aplicação for interna, por um acesso combinado com a equipe do cliente.
Quer saber o que a sua aplicação deixa passar?
Mande o endereço do sistema, os perfis de usuário e o que mais preocupa você. Eu digo com franqueza qual modalidade faz sentido e o que precisa entrar no escopo.
Falar sobre o pentest