Resposta direta
No Pará, boa parte da controvérsia probatória é sobre onde e quando, e a resposta costuma vir de uma imagem com coordenada. Fotografia com geolocalização, vídeo de drone, imagem aérea ou de satélite e registro de rastreamento aparecem em disputa de posse, divisa, dano, obra, licenciamento e responsabilidade. É prova poderosa, e é também a que mais sofre com leitura apressada.
Três confusões se repetem. A primeira é tratar o campo de coordenada como se fosse medição confiável, sem apurar de onde ele veio: receptor de satélite, triangulação de antenas, rede sem fio ou inserção manual têm precisões muito diferentes, e o campo não declara a fonte. A segunda é ignorar resolução: cada pixel de imagem de satélite cobre uma área no terreno, e objeto menor que o pixel não é resolvido. A terceira, e a mais séria, é confundir o que a imagem mostra com o que ela prova.
Uma imagem mostra que determinada área apresentava certo aspecto na data da passagem do sensor. Não mostra autoria, não mostra intenção e não fixa o momento exato da alteração, apenas que entre duas passagens houve mudança. E vale a delimitação que faço em toda esta série: o exame digital verifica autenticidade, origem, data e integridade do arquivo. Interpretar cobertura vegetal, solo ou área degradada é sensoriamento remoto e perícia ambiental, competência distinta e complementar.